Após uma semana de intenso calor, a manhã de Sábado apresentou-se estranhamente nublada, principalmente para os landrovistas que se deslocaram da zona da grande Lisboa. Assim, foi no meio de um nevoeiro quase Sebastianico que os Land Rovers se reuniram nos Cucos, celebre estância termal de Torres Vedras. Ficava a esperança de um excelente percurso e de um banho de mar que alguns ainda acalentavam, pois que o percurso conduziria a caravana até à praia Azul, onde se previa chegar pela hora de almoço e, para aquelas bandas, parece que o tempo “levanta” lá pelo meio dia.
O dia começou cedinho. Às nove da manhã estávamos todos na praia de São Torpes, Sines, a ajustar os últimos pormenores para começar mais uma aventura com o Clube Land Rover. Já com as coordenadas no GPS fizemo-nos à estrada! Entrámos por caminhos fora de estrada junto às praias, as vistas eram incríveis!
Por volta da uma da tarde parámos todos no parque de merendas para fazer um piquenique. O convívio é uma das partes mais giras. Com uma mesa cheia de comida (e sem formigas) conversámos com aqueles que não víamos desde o último passeio, ou até com os que decidiram vir experimentar pela primeira vez estas aventuras. Depois de encher a barriga, voltámos à estrada.
Sempre a seguir o GPS entrámos em caminhos da areia, ainda nem eu sabia o que nos esperava. Eu e o António interpretámos mal o mapa e conseguimos perder-nos do resto do grupo. Felizmente encontrámos o caminho certo, mas era tarde demais, não tinhamos os pneus suficientemente vazios e ficámos enterrados na areia.
Mas como a segurança está acima de tudo, pusemos o protector solar e fomos apanhar sol! Não tardou muito para o Miguel e a Manuela aparecerem e nos darem uma ajuda.
A partir daí, para perder a alcunha de "os atrasados", não tirámos o pé do acelerador até encontrar o resto do grupo que já estava na praia. Escusado será dizer que travessia da Costa Vicentina não é bem feita, sem um mergulho no mar (por muito frio que esteja!).
Depois de tanta aventura, fomos todos jantar, enquanto se viam as fotografias do dia. Eu, pessoalmente, não faço estes passeios há muito tempo e adoro a parte do convívio, é sempre giro ouvir as aventuras dos outros!
Dia 2 - DOMINGO
O segundo e, infelizmente, último dia desta travessia GPS, começou pelas 9 horas em Vale da Telha, acabando em Sagres, no Hotel da Baleeira, com um delicioso almoço.
Paisagens magnificas, as da manhã de domingo. Muitas delas a concorrer às 7 Maravilhas Naturais de Portugal.
Após uma paragem para o cafezinho da manhã, decidiu-se tirar uma fotografia de grupo mais à frente na praia da Barriga.
Fotografia fantástica esta, entre falésias com os LR parados à borda da praia! Foi espectacular, mas ainda mais divertido foi sair de lá! Parecia um jogo para ver quem conseguia sair mais rápido da areia! Fartámo-nos de rir! Coitado do novo Discovery 3...
O almoço foi no renovado Hotel da Baleeira, novamente oferecendo-nos uma vista espectacular e uma refeição...ui!.
Pela 15h e depois das despedidas era hora de nos fazermos à estrada para Lisboa.
Para alguns malucos, a estrada era outra. Optaram por "maus" caminhos até Sines! Toca de utilizar mais uma virtude do GPS e fazer o caminho para trás, com uns pequenos atalhos e muita areia!
EXPERIÊNCIA GPS (do ponto de vista de uma co-piloto):
Esta foi a primeira travessia que o CLRP organizou substituindo o roadbook pelo GPS. Foi uma grande ideia!
Em vez de estar atenta a um montinho de folhas, pude desfrutar de paisagens, que nem palavras tenho para descrever. Para além desse descanso, o GPS possibilitou podermos sempre voltar para trás, situando-nos no mapa. Conseguimos sempre perceber onde estamos e para onde vamos.
Gostei muito desta nova experiência e espero que seja para repetir!
Em Junho de 1970, depois de 4 anos de testes e desenvolvimento, era apresentado em Inglaterra o Range Rover. Com o seu lançamento, e sem que talvez os seus criadores o conseguissem antever, aparecia então, um novo conceito automóvel que viria a mudar para sempre o panorama da indústria, particularmente no segmento dos veículos 4X4. À data do seu lançamento, este modelo reunia características técnicas únicas, que ainda hoje só é possível encontrar em certos veículos de luxo. O motor de oito cilindros a gasolina, a suspensão de molas helicoidais ou o sistema de regulação automática de altura da carroçaria eram apenas algumas delas, o que conjugado com um excelente desempenho em todo-terreno e um conforto digno de um carro de turismo, faziam deste um automóvel único no mercado. Era o “carro para todas as ocasiões” como anunciava a própria Land Rover nos primeiros folhetos promocionais do novo modelo.
Com o passar dos anos, o Range Rover foi evoluindo em termos de conforto e comportamento, até se tornar no líder incontestado dos todo-terreno de luxo, estatuto que ainda hoje conserva. Registe-se ainda que este foi até à data, o único automóvel a ter o privilégio de ser exposto no museu do Louvre em Paris, por ter sido considerado como uma obra de “arte automóvel”.
Para celebrar a carreira deste veículo mítico, tiveram lugar no fim de semana de 1 e 2 de Maio, no complexo do “Motor Heritage Center” Centro da Indústria Automóvel - em Gaydon, Inglaterra, as comemorações dos quarenta anos do Range Rover, com um conjunto de desfiles, exposições e iniciativas organizadas pelos vários clubes e associações que contam com o apoio oficial da própria Land Rover.
Como verdadeiro aficionado deste modelo, esta era uma oportunidade a não perder, e por isso surgiu naturalmente a ideia de estar presente em representação de Portugal, e de preferência possível ao volante do meu próprio Range Rover.
Conforme planeado, saimos das Avelãs de Ambom na 5ª feira, dia 29 de Abril, bem cedo, em direcção ao nosso fim-de-semana que se esperava fosse de sonho. Depois de cerca de 1200 Kms percorridos e quase trinta horas de viagem, das quais vinte a bordo do “Ferry-Boat” entre Santander até Plymouth, chegámos finalmente ao “Heritage Motor Center” de Gaydon. Desde logo, uma nota para a forma amável como fomos recebidos pelos responsáveis do Clube “Range Rover Register” organizador das comemorações - ainda surpreendidos pela nossa façanha e por sermos os únicos representantes Lusos no evento.
Cumpridas as formalidades iniciais, tivemos a oportunidade de visitar de imediato o museu automóvel que reúne num espaço amplo, moderno e magnificamente arranjado, várias centenas de automóveis de todas as marcas Inglesas e de todas as épocas, desde o fim do século dezanove até aos nossos dias. Claro está que a Land Rover não podia deixar de estar representada, tendo em exposição vários modelos que ilustram a evolução da marca ao longo da sua história, como são os casos do primeiro Land Rover série 1 de 1948 ou o último Range Rover Classic produzido em Fevereiro de 1996.
Finda a visita, foi tempo de nos juntarmos aos restantes veículos da marca que iriam estar em exposição durante o fim-de-semana no espaço reservado exclusivamente ao clube, desde os raríssimos protótipos VELAR e os exemplares de pré-produção de 1970, até aos modelos da última geração do modelo, mas todos impecavelmente preparados e mantidos, o que nos fez sentir que estávamos realmente entre os “eleitos”, tal era a exclusividade e qualidade dos veículos expostos.
Nas diversas áreas do recinto exterior ao museu, havia lugar para uma exposição de vários exemplares únicos do modelo, como eram os casos de um Classic LSE de 1995 pertencente à Rainha Mãe de Inglaterra ou do projecto “Bullit” que em 1987 bateu vários recordes de velocidade para veículos equipados com motor Diesel.
Num evento tão especial como este, a Land Rover estava fortemente representada a nível oficial por uma série de veículos históricos rigorosamente conservados e por uma equipa da Land Rover Experience, que montou um centro de obstáculos onde os actuais modelos da marca eram postos à prova por instrutores profissionais, que demonstravam todas as magnificas qualidades técnicas dos veículos. O fim-de-semana chegava rapidamente ao fim, pois na manhã de Domingo havia que iniciar a viagem de regresso a Portugal, mas antes, houve tempo ainda para acompanhar a chegada do desfile de Range Rovers históricos que tinha saído da fábrica em Solihull em direcção a Gaydon onde se concentravam já vários milhares de aficionados da marca.
No momento da partida deixávamos para trás um fim-de-semana memorável por termos participado num evento tão especial, mas para nós esta viagem tinha ainda outro significado especial de carácter social que sensibilizou todos quantos connosco contactaram. Com ela tínhamos dado mais uma contribuição para que a Associação para a Promoção Social Cultural e Ambiental de Avelãs de Ambom possa continuar o projecto de construção do Centro de Dia para as pessoas mais necessitadas da aldeia.
De regresso a Portugal, chegamos com experiências únicas para recordar e com a enorme satisfação de termos alcançado o nosso objectivo de tornarmos o nosso mundo um pouco mais solidário!
Uma viagem sem nada de especial para contar até Algeciras, não fosse o facto do Land Rover do Rui Teixeira ter deixado de ter marcha-atrás. Entraram os mecânicos amadores em acção. Tudo resolvido. Aparentemente claro! A marcha-atrás só trabalhava com o motor frio. Mas tal não foi motivo de preocupação para o Rui, que habituado às contrariedades, apenas comentou: "Podemos seguir em direcção a Marrocos".
2º DIA: ALGECIRAS - IFRANE
Depois da travessia do estreito de Gibraltar e do controle fronteiriço, entrámos finalmente em Marrocos.
Fizemos uma paragem técnica em Tetuam.
Fez. Visitámos a Medina já ao anoitecer e seguimos em direcção a Ifrane.
Ifrane é a cidade escolhida pelo Rei para férias de Inverno, sendo conhecida pela Suíça de Marrocos. É uma cidade bem cuidada, com casas tipicamente suíças e com uma imensa floresta. Em tudo bem diferente do que é habitual vermos em Marrocos.
3º DIA: IFRANE - DADES
Hoje é Domingo de Páscoa e vai começar mais a sério o passeio todo terreno. Subimos ao Atlas por asfalto e até ao almoço correu tudo bem, salvo o Avelino, que se esqueceu do passaporte no hotel. Teve que voltar para trás, mas como é um ás do volante e do GPS, ainda chegou a tempo de almoçar connosco junto ao lago Tizli, no alto Atlas.
Almoçámos a cerca de 2.500 m de altitude, com neve a bordejar o cume das montanhas. Já me esquecia, tivemos o primeiro “atascanço”, já que o Rui foi passear para a beira do lago e atascou. Teve de ser puxado e a desculpa foi a marcha-atrás.
Durante o almoço, o António Antunes pôs a questão de descermos por estrada ou pela pista do Dades, pois não sabia qual seria o estado da pista. A opinião foi unânime: todos pela pista, pois o desejo era fazer todo o terreno. Iniciámos então a pista de Dades desde os 2.800 m de altitude, com as rodas por vezes a roçar a neve, mas foi mesmo só a roçar, que a neve já estava a derreter. A pista tem paisagens deslumbrantes, foi realmente espectacular, salvo o pó que apanhámos, que era mais do que muito. Foi durante esta pista que tivemos os primeiros contactos com as centenas de crianças que se abeiravam de nós assim que ouviam o barulho dos nossos Land Rovers. É triste ver que àquelas crianças tudo falta, embora tenham no rosto um sorriso de alegria por nos verem passar. Demos o que tínhamos e o que não tínhamos. Estas crianças acompanharam-nos ao longo de toda a pista do Dades.
Finalmente, ao anoitecer chegámos ao magnífico hotel Xaluca Dades, para uma noite de conforto e de descanso merecido.
4º DIA: DADES - MHAMID
Logo após a saída do hotel, entrámos em pista, pouco depois o Avelino furou. Foram cerca de 70km de pista demolidora, a maior parte feita em 1ª e 2ª, era pedra sobre pedra. Depois do almoço, parámos para descansar um pouco e fazer compras em Zagora e, quando já estávamos prestes a partir, verifiquei que tinha um amortecedor partido. O Rui ofereceu-se logo para me emprestar um mas, como não dava para soldar, de imediato alguém me indicou a oficina do Aziz. Fui lá e de imediato me desenrascaram, pois o Aziz tem uma equipa muito competente e profissional, para além de trabalharem barato. Passada cerca de uma hora já estávamos a rolar.
Ao aproximarmo-nos do hotel, com uns acessos muito manhosos em caminhos de terra batida, tivemos uma agradável surpresa: é um hotel ao estilo do deserto, com construção em barro e palha, mas com umas excelentes instalações e uma piscina das mil e uma noites. Só lá faltavam as Odaliscas!
5º DIA: MHAMID - ERG-CHEGAGA
Finalmente entrámos na zona de deserto, em que ultrapassámos algumas dunas pequenas e fizemos uma pista, mas só de areia e pedras que parecia terem sido ali semeadas. Pelo meio-dia, parámos num oásis típico do deserto, com muitas palmeiras e uma nascente de água. Tudo de uma beleza espectacular, tendo mesmo a visita de dromedários. Como tínhamos tempo e no oásis está uma temperatura agradável (fora estavam cerca de 38º) foi escolhido este local para o almoço. Estava na hora de testarmos as capacidades de cozinheiro do Armando que, com alguns ajudantes, fez uma sopa da pedra que estava uma delícia, acompanhada com umas cervejolas bem fresquinhas. Foi um belo almoço!
Logo a seguir ao almoço o LR do António Silva não pegou e, como o meu estava ao seu lado, fui-lhe dar um encosto de bateria. Só que uma das garras dos cabos escapou, fez um curto e o meu LR deu o berro (mecânicos amadores em acção!…). Depois de várias tentativas de reanimar o bicho a solução encontrada, para não atrasar os outros, foi o reboque do meu LR pelo do A. Antunes até ao acampamento, para grande desgosto meu, pois já pensava que não poderia ir para as dunas. Passados poucos quilómetros, com a chegada da areia, ficámos os dois parados. Quando estávamos a tirar o ar dos pneus, o A. Silva, (que não é mecânico, mas já teve muitos problemas com a centralina dele) resolveu desligar novamente a minha centralina e voltar a ligar. Remédio Santo! O meu LR pegou…e não deu mais problemas.
Pelas 17h fomos atacar as dunas do deserto. Aí foi a vez do meu Amigo e companheiro de viagem Quim Oliveira fazer a sua perninha. Só que teve azar com o pendura (Eu) pois, tenho muita pena, mas além de não saber andar do lado direito, sou um pendura medricas como o caraças e ele nem estava à vontade para fazer o gosto ao pé. Depois de eu fazer a minha perninha nas dunas, decidi cá para comigo que a seguir o Quim ia andar nas dunas à sua vontade, sem o pendura a atrapalhar. Mas, azar dos azares, começaram a atascar por todos os lados: foi a Sofia que ia capotando; o Alex ficou sem potência (no LR) e o Quim, como bom samaritano que é, foi ajudar uns e eu outros…e lá se foi a brincadeira para ele. Quando já se fazia tarde e se resolveu voltar para o acampamento, o A. Antunes escolheu caminho e nós íamos a segui-lo. Mas só eu, o A. Silva e o Horácio conseguimos passar, todos os outros foram ficando em sucessivos atascanços. Até que, cerca das 10h da noite, lá apareceram todos e rapidamente conseguimos chegar ao acampamento, onde jantámos e dormimos.
6º DIA: ERG-CHEGAGA - AIT-BENHADDOU
Partimos do acampamento sem tomar banho, pois só havia água no lavatório…e já gozas!
Fizemos a pista do lago Iriki, que é espectacular! É um lago seco com muitos quilómetros de comprimento e largura, onde pudemos esticar os LR e retirar o carvão acumulado.
Até ao almoço correu tudo na boa só que, logo a seguir, o V8 do Alex deu mesmo o berro. Teve que ser rebocado até à vila mais próxima, onde tentaram desenrascá-lo com uma bomba de gasolina de um Renault 19. Lá deu para desenrascar, mas pouco!
Chegámos a Benhaddou e fomos para o hotel, que só por acaso era um pouco melhor que o acampamento. Como tinha uma bela piscina com vista para uma Kasbah deslumbrante e deu para tomar banho, que era o todos estavam mais necessitados, escapou!
7º DIA: BENHADDOU - MARRAKECH
Neste dia ficámos com menos 3 elementos da caravana, pois o Frederico e a família tiveram que ir embora mais cedo por causa do Nacional de ralis. Mas não se perdeu tudo, já que foi o vencedor da prova.
Viagem na rota dos Kasbahs em pista de terra e depois por estrada. O LR do Alex continua a falhar, só anda bem a descer. Vamos ver se o conseguem arranjar em Marrakech. Aqui o hotel é razoável e, depois de um banho revigorador, eu, o Armando e o Horácio, fomos de charret para a praça central de Marrakech. É fantástica! Mesmo à moda dos tempos medievais, com encantadores de serpentes por todo o lado. Tantos que, mal nos descuidamos, eu e o Horácio já temos uma serpente enrolada ao pescoço (sai foto para recordação). Na minha opinião, esta foi a praça mais espectacular que alguma vez visitei. Na zona das compras, é a confusão total, com as motorizadas e bicicletas misturadas com os peões. Nem sei como há tão poucos acidentes.
Passado pouco tempo de chegarmos à praça o Armando, com a grande lata que tem, engatou logo dois Polícias para lhe indicarem quais as melhores casas para comprar os produtos que ele queria. Toda a tarde tivemos protecção Policial: levaram-nos a sítios do arco-da-velha, onde até fomos massajados com uma espécie de banha da cobra (ainda por cima por homens). Enfim, Marrakech tem realmente um encanto especial!
8º DIA: MARRAKECH - ESSAOUIRA
Partimos de Marrakech com menos dois LR, pois o Alex e o Avelino ficaram à espera do mecânico para consertar o LR do Alex. O que se veio a confirmar, seguindo eles até ao fim, embora com um dia de atraso dos restantes. Conseguiram fazer o passeio completo de LR, que era o que todos queriam.
A viagem até Essaouira decorreu sem problemas. Essaouira é uma cidade com uma bela praia e zona piscatória, assim como uma fortaleza que teve participação Portuguesa, ainda que não tenhamos conseguido ver nenhuma inscrição em português.
9º DIA: ESSAOUIRA - ASILAH
Partimos pelas 8h para Asilah, cerca de 600 km a rolar. Almoçámos em Al Jadira, mas pouco deu para ver desta cidade e seguimos em AE para Asilah. Esta sim, além de ter muitas construções feitas pelos portugueses, está em muito bom estado de conservação dentro das muralhas e é de facto muito bonita, para além do valor histórico que tem para nós.
No hotel houve uma história engraçada, pois foi o único hotel que não vendia qualquer tipo de álcool a turistas. Então, alguém resolveu ir ao LR do A. Silva e do Rui buscar o resto de cervejas que ainda havia e juntámo-nos 7 ou 8 pessoas numa mesa da esplanada, a beber Superbock e a comer amendoins. Quando o empregado nos viu, ficou muito aflito porque não podíamos beber cerveja, mas o Pedro rapidamente o esclareceu que aquilo era somente sumo de cevada e, como ele não conhecia a marca, parece que engoliu a patranha. Certo é que bebemos as cervejolas todas sem problemas!
10º DIA: ASILAH - LISBOA
Hoje é dia de voltar para casa. Fizémos os 60 km até Tanger rapidamente, para apanharmos o barco das 9:30h. Surpresa! O mar está muito mexido e só vai haver barco às 13:30h…que depois se haveria de transformar em 14:30h. Uma espera com que ninguém contava, uma grande seca!
Pelas 14h começámos a embarcar e o barco parte rapidamente. Só que nem todos vão, pois o Paulo Duarte esqueceu-se de carimbar o passaporte e os marroquinos não o deixaram seguir viagem. Mais um contratempo, pois todos ficámos tristes pelo Paulo que ficou sózinho do outro lado do estreito.
A viagem foi bastante atribulada, pois com o mar tão revolto, quase metade das pessoas enjoaram e fizeram uma viagem de grande sacrificio. No final reunimos o grupo para resolver o que fazer para o Paulo não vir sózinho para Lisboa. Então ficou resolvido que o António Antunes mais o casalinho de médicos, que sempre o acompanharam, ficavam à espera do Paulo.
A viagem para casa foi feita por conta de cada um, pois em caravana é mais demorado, mas durante o caminho fomos encontrando alguns dos participantes. Penso que todos chegaram bem, para poderem contar as suas aventuras aos familiares e amigos que ficaram em Portugal.
Quero só salientar que o nosso Guia António Antunes foi excelente pois, com tantos problemazitos que houve, soube lidar com todos com a maior lisura e sem nunca comprometer a segurança da comitiva. A ele e ao pessoal do Clube, os meus agradecimentos, bem como para os restantes participantes, que foram todos de uma grande simpatia, apesar de alguns só agora ter conhecido.
Um bem-haja para todos.
PAULO ROCHA - LR DEFENDER TD 5 (que nunca ficou atascado. Ah! Ah! Ah!)
Em Almeirim, o sábado amanheceu chuvoso e a antever boas condições para a prática da modalidade de todo-o-terreno.
A concentração de Land Rovers iniciou-se pelas 9h00, junto à Praça de Touros. Nela se desvendou uma raridade: a participação de dois magníficos exemplares Land Rover Foward Control 101. Ambos de matrícula portuguesa, mas um de direcção à esquerda e outro à direita!
Muita lama e muitos atrasos (sim, porque um Land Rover nunca se atasca…) caracterizaram a parte matinal. Sem dúvida que o S. Pedro não se esqueceu de brindar os amantes da oval verde. Houve de tudo: cruzamentos de eixos, trabalhos de guincho e LR’s cansados de fazer força…
Ao almoço, numa agradável ilha do rio Sorraia, foi possível recompor energias de uma manhã cheia de histórias para contar.
A tarde iniciou-se com mais obstáculos para vencer e, novamente, com os atrasos que caracterizam a mítica marca. Nem os membros da organização escaparam à profusão de atrasos que se espalhou pela caravana…
Já ao anoitecer, e junto à albufeira de Magos, pôde comprovar-se as capacidades anfíbias dos Land Rovers. A Direcção do passeio espera que a água tenha saído toda e não tenha provado danos maiores!
Ao jantar em Salvaterra de Magos foram entregues brindes aos participantes e concluído o primeiro evento do Clube Land Rover de Portugal em 2010.
Na noite de 18 de Dezembro o parque de estacionamento da Toca do Júlio, Colares - Sintra, encheu-se de Land Rovers de várias gerações, com as várias famílias que participaram no Jantar de Natal 2009 do Clube Land Rover de Portugal.
As preferências recaíram mais para o cabrito assado no forno e o bacalhau assado com batatas a murro, especialidades da casa, uma verdadeira delícia gastronómica e muito apropriada para esta época natalícia. O tinto foi muito apreciado e elogiado.
Foi um jantar de amigos onde se aproveitou para pôr a conversa em dia, falar das últimas novidades e combinar as próximas aventuras com os nossos Land Rovers. O calendário 2010 já está definido.
No fim-de-semana de 23 a 25 Outubro decorreu mais um passeio do Clube Land Rover de Portugal na Vidigueira, revisitando as terras do grande lago, Alqueva.
O Alentejo já não é o que era, pois agora, para além das bonitas paisagens, boa comida, excelentes vinhos e hospitalidade, também tem passeios de barco no Alqueva.
As actividades começaram logo na Sexta-feira à noite, com uma prova de navegação nocturna. Foi montado um “pirilampo amarelo” no cimo de um monte e os participantes tinham que lá ir ter. Depois de algumas voltas aos montes circundantes, debaixo de um céu estrelado. O Luís Santos e a sua experimentada navegadora Ana, foram os primeiros a chegar.
A noite acabou já tarde, com todos os participantes, mesmo os mais retardatários, em plena serra a beber um reconfortante cacau quente, comer uns bolinhos típicos, a apreciar as estrelas cadentes e a formular os seus desejos secretos.
O Sábado acordou solarengo e quente, após as chuvas dos dias anteriores. O primeiro objectivo do dia era a Marina da Amieira, onde nos esperava um barco e o almoço. O percurso estava sem pó e os Land Rover tiveram que superar subidas, descidas e sobretudo usufruir da paisagem.
Na Marina da Amieira lá estava o barco, para levar a caravana por um passeio pela albufeira do Alqueva. Um excelente momento para confraternizar e apreciar a maior bacia hidrográfica da Europa. Seguiu-se o almoço no restaurante panorâmico da marina, onde a boa comida e bebida alentejana foram apreciadas por todos.
Após o almoço seguiu-se um percurso rolante e escorregadio a acompanhar o lago, uma delícia para os amantes da condução TT de velocidade, fazendo-se depois a ligação aos corta-fogos, por entre propriedades, onde se puderam apreciar gamos (chamados de “veados” por todos) e porcos “arraçados” de javalis, segundo alguns mais entendidos.
No Alentejo também há corta-fogos e foi a vez dos mais experientes fazerem os “sobe-e-desce” com bastante inclinação. Havia uma parte mais complicada, onde a uma descida pronunciada, era acrescentada uma inclinação lateral, pelo que foi bonito ver os condutores a controlar a traseira dos seus Land Rover, que queria passar para a frente. Um momento de convívio muito bom, com uma excelente temperatura, onde os mais experimentados puderam praticar a condução TT e os outros ver como se fazia.
Depois das emoções mais fortes, chegou o momento cultural, com uma visita ao Convento do Carmo, antiga Igreja de S. Francisco, onde ficamos a saber que, apesar de duas trasladações das ossadas de Vasco da Gama e outras histórias interessantes do convento, os habitantes da Vidigueira são conhecidos por “Vidiguenses-larga-o-osso”, pois há quem defenda que os ossos de Vasco da Gama ainda se encontram por lá.
Depois de um dia muito preenchido e um banho relaxante, seguiu-se o jantar onde, a acompanhar as entradas, actuou o Grupo Coral “Os Vindimadores”, com os seus cantares alentejanos.
As migas com entrecosto foram muito apreciadas e mais alegres ficaram as felizardas que foram contempladas com os três relógios Timex Expedition WS4, de inspiração Land Rover.
O dia tinha sido longo, quase 100 km e era tempo de descanso, depois da projecção das fotografias do dia em ecrã gigante, onde surgiu a piada do dia: “a caravana tinha cumprido o horário, graças ao patrocínio da Timex”.
O programa de Domingo foi mais ligeiro, privilegiando o convívio e a paisagem, apesar de alguma lama. Foram 45 km de ligação entre a Vidigueira e o Alvito. Tempo para parar junto à albufeira, beber um café, comer um bolinho, conversar e combinar próximos encontros.
O almoço de encerramento foi na Pousada do Alvito, onde pudemos visitar a “Suite Real” e a cozinha alentejana esteve novamente em destaque, a par de uma deliciosa mesa de sobremesas.
No dia 30 de Maio decorreu na zona da Comporta a "Rota do Dakar 2009", mais um passeio do Clube Land Rover de Portugal.
O dia acordou muito quente (bom para fazer a areia mais mole) e a partir das 8 da manhã os ferries que fazem a travessia entre Setúbal e Tróia começaram a encher-se, com os mais de 30 Land Rovers participantes.
No briefing matinal, depois do café matinal no local da partida, os participantes foram informados do tipo de percurso (areia, areia e mais areia) e convidados a baixar a pressão dos pneus.
A caravana iniciou o percurso e logo na primeira subida, as primeiras dificuldades. Uns passavam e outros não. Quem não sabia, rapidamente aprendeu, que se não pisasse o pé direito com energia, não conseguia progredir. Aprendida a lição, era ver os Land Rovers em velocidade cruzeiro a fazer os extensos areais.
O percurso da manhã foi rolante e serviu para treinar a condução em areia. Todos passaram com distinção, pois durante toda a manhã não houve atascanços, somente umas repetições nas partes de mais difícil progressão.
O almoço decorreu juntou ao rio Sado, nos arrozais, mas infelizmente apanhou-se a maré vazia, pelo que era difícil ir molhar os pés, para amenizar o calor abrasador da uma da tarde.
Para a parte da tarde estava reservada uma jornada de areia bastante mais "pró", depois de apreendida a lição da manhã.
O início da tarde foi marcado por uns "incidentes", com um percurso intransitável nos arrozais (estrada cortada), um road-book "caprichoso" e um Range Rover atascado no arrozal. Depois de retirado o Range do arrozal, reuniram-se as "tropas" novamente e começou finalmente a parte "apimentada".
Muita areia mole, subidas em que só os mais afoitos subiam, e só se tivessem baixado a pressão dos pneus, curvas com pinheiros a estorvar a trajectória, estradões de 3ª alta, etc.. Uma diversão total. Um feliz proprietário de um V8 exclamava: "Isto é mesmo uma maravilha para os cavalos do meu V8".
Um estreante em areia, com a família no seu Defender Td5, quando se preparava para fazer a famosa subida ,respondia ao organizador que dava as instruções: "Já aprendi de manhã a técnica, 2ª alta e prego a fundo, certo?".
No final do percurso, toda a gente com um sorriso nos lábios. Tinham todos aprendido muito bem como guiar o seu Land Rover em areia. Para a maior parte, uma estreia absoluta.
O dia acabou no "Restaurante A Escola". A recepção com os aperitivos e bebidas refrescantes foram o mote para um excelente jantar. Entradas divinais e quatro meios-pratos, deixaram todos muito satisfeitos e bem dispostos. A simpatia de quem serviu o jantar não podia ser melhor.
Assim foi revivido o espírito de Dakar: areia, areia e mais areia.